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Um clássico de 38 anos roda por Campo Grande

Postado dia 16/06/2014

Ele não tem freios ABS, faróis de xenon, airbgs e, tampouco, um motor potente, itens que os consumidores levam em consideração quando pretendem comprar um carro e que hoje estão disponíveis em vários modelos encontrados no mercado. Mas o bancário Anderson Luiz Souza Gonzaga nem admite a hipótese de se separar do Corcel I, modelo LDO, ano 1976, que pertenceu ao avô materno. 
O carro, um clássico da indústria automobilística brasileira, chegou à garagem da família de Anderson depois que o avô, Ricarte Sandim de Souza, que era armeiro, morreu aos 65 anos, em 1989. Após a abertura de um inventário, a mãe do bancário, filha única, ficou com o carro. Anderson, então um adolescente de 14 anos, só podia admirar de longe o Corcel.            
Os anos que se seguiram foram muito difíceis para os dois, que não tinham condições de fazer a manutenção do veículo e o deixaram parado, por mais de cinco anos. Não faltaram oportunistas querendo adquirir o carro, mas a família recusou todas as propostas. “Mesmo diante de muitas adversidades e coisas ruins, tínhamos uma única certeza: que custasse o que custasse jamais o venderíamos”, lembra Anderson.
A razão para não aceitar as propostas, algumas de valor bem maior às de mercado, era a paixão, a relação de carinho da família com aquele carro, que há 38 anos roda pelas ruas da capital sul-mato-grossense. “Eu cresci ouvindo o meu avô falando e elogiando o Fordinho. Foi nossa condução, minha e da minha irmã, nos tempos de escola”, recorda Anderson.

Em 1994, as coisas começaram a mudar, depois que Anderson conseguiu um bom emprego. O Fordinho recebeu toda a atenção que precisava. O bancário procurou manter o velho Corcel quase 100% original, desde as peças mecânicas e elétricas até ao estofamento e pintura. Somente o volante, o som e a manopla do câmbio não são mais originais. “Eu até encontrei alguns volantes originais, porém muito caros e danificados, tornando quase impossível a restauração”, diz.

Bem conservado, o carro chama atenção por onde passa. Uma das coisas que também chamam a atenção das pessoas é a sua cor, marrom florentino, metálica. “Após uma lavagem e uma cera, tem um brilho todo especial”, salienta Anderson. Muitas pessoas pedem para tirar fotos e algumas perguntam se o carro está à venda, o que já rendeu boas histórias.

Ele conta que um dia estava em um posto de combustíveis e um homem lhe fez uma proposta. O bancário disse que não fazia ideia do valor de mercado e muito menos quanto valeria para um colecionador. Mesmo assim, o interessado não desistiu e dobrou o valor. “Eu recusei e ele propôs uma troca, meu Corcel pelo seu carro, e apontou para nada mais nada menos, que uma BMW. Demos muita risada e foi quando disse para ele que a volta da diferença entre os valores dos veículos seria muito alta”, brinca.

Em outra ocasião, ele estava indo para o trabalho quando notou que um motoqueiro o seguia há bastante tempo. Quando parou em um semáforo, o desconhecido encostou bem ao meu lado. “A preocupação só passou quando ele se apresentou e me convidou para participar de uma exposição de carros que estava organizando na cidade”, lembra Anderson.

Quando casou, o bancário não pensou duas vezes e vendeu o outro carro que tinha para ficar com o Corcel, que utiliza para trabalhar, passear e fazer compras. O carrinho só fica parado na garagem quando ele e a esposa viajam e usam o carro dela, um pouco mais confortável. A esposa, aliás, teve de ser conquistada duas vezes, já que não simpatizou com a relíquia. “No começo do nosso relacionamento, minha esposa não aceitava muito bem a situação, mas, com o passar dos dias, ela começou a entender o enredo desta história e hoje ela me ajuda e apoia”, declara Anderson, lamentando apenas que ela não chegou a conhecer seu avô.

Resistência - Apesar dos seus 38 anos e mais de 147 mil quilômetros rodados, o Corcel ainda continua sendo um carro muito forte e resistente. “A parceria entre a Ford e a Renault, na década de 1970 deu muito certo. Criaram um motor excelente. Até hoje tive problemas apenas nas bronzinas por causa de desgaste”, revela. O Fordinho de quase quatro décadas também não é beberrão e faz 14 quilômetros por litro na estrada. Na cidade, roda um pouco menos, 12 quilômetros por litro. “Mas ainda assim um consumo muito bom, até mesmo para os padrões de hoje, se levarmos em consideração que se trata de um motor 1.4, com carburação simples e uma carroceria muito pesada”, analisa.

Se comparado com os carros de hoje, ele não possui nenhuma tecnologia. Anderson diz que não basta apenas paixão, também é preciso um pouco de força extra na hora de dirigir e manobrar. A resistência do Corcel é um ponto positivo. “Os carros do passado eram feitos para durar. Por isso, além dos motores, a lataria era muito resistente. Hoje, por norma, as latarias têm que serem mais flexíveis em caso de acidentes”, observa. “Apesar de seus 38 anos, o Corcel ainda tem muita lenha para queimar”, completa.

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